Miguel Freire
Autor, Ensaísta, Professor, Cineasta e Fotógrafo
Exibições - O Primeiro Saraceni




O alvorecer de SaraceniNeste domingo, 5 de novembro, quando faria 91 anos, Paulo César Saraceni teve uma bonita homenagem na Cinemateca do MAM-RJ com uma dupla sessão a partir das 16h30. Foi exibido seu primeiro filme, o longa Porto das Caixas. Às 18h30, o curta Saudade, de sua sobrinha Renata Saraceni, acompanhou o média inédito O Primeiro Saraceni, do professor e documentarista Miguel Freire. O Primeiro Saraceni se ancora em entrevista concedida a Miguel Freire em 2005. Ilustrado por muitas fotos de cena de Porto das Caixas, Saraceni comenta o contexto político e estético que gerou suas escolhas e a relação fundamental com o diretor de Fotografia Mario Carneiro (“ele não sabe o que sabe”), Glauber e o Cinema Novo. Publicado em 08/11/2023 por Carmattos.




Cinema e Literatura na ATL
Na 2ª sessão do Cineclube ATL Cinema e Literatura, tivemos a exibição de O Primeiro Saraceni, documentário dirigido por Miguel Freire, comentado pelo Confrade Professor Marcelo Pelegrino. Em seguida tivemos a palestra sobre o texto, os autores (Lucio Cardoso e Paulo Cesar Saraceni) e o filme Porto das Caixas com a Acadêmica Rozelene Furtado.
A Pirâmide Verde
Quebrou-se em pedaços a pirâmide triangular de quartzo que usava como peso para as folhas de papel almaço.
Não imaginava que a sua pena traçava o contorno de uma grande gema.
Escrevia nas primeiras pautas algo sobre Porto ou Caixas.
No escopo o mesmo argumento em diferentes partes do globo.
Porém era algo Novo que rompia a dura casca do ovo.
Quatro faces triangulares.
Três delas se encontrando num único vértice.
Contudo, uma sobrava para formar o seu alicerce.
Outra história apenas sombria?
Ou a indigência dum povo, com realismo e inteligência surgia?
Pedra Bonita Escondida na Água, foi a escolhida.
Assim chamada em Tupi-Guarani a eterna, infinita e indestrutível cidade de Itaboraí.
Onde os pedaços no chão eram fractais da bela e pacata região.
Porto das Caixas, em Itaboraí, um porto fluvial de grande importância comercial.
No século XIX, servia como elo entre o interior e a corte imperial.
Era vista assim antigamente.
Mas deixou de ser reluzente com Saraceni.
O pó agora escondia a sílica que na escuridão de cada cena, não brilharia mais.
Misturado à areia da miséria,
O Sangue da escultura em madeira do Jesus Crucificado,
Dividiria o mesmo Santuário com a figura de satanás.
Falando mais que palavras, a câmera como o olhar do ator...
Vago, perdido de um pecador contrito.
A manifestação visível de um coração arrependido.
Enquanto planos gerais a mostrar o inclemente e severo ambiente.
A fotografia contrastante e lúgubre a registrar o imponderado absurdo.
O conhecido paradoxo de "Deus e o Diabo" sem solução verdadeira em nenhum dos lados.Em vão, amante, barbeiro e soldado são consultados.
A protagonista desolada, não se dando por vencida, desfere a fatal machadada.Uma condição marcada pela carência e opressão.
Nada de suspense ou mistério macabro...
Desde o início um fecho já delineado.
Mas é no trilho do trem, que a todo tempo vai e vem, onde tudo realmente acaba...Na mesma linha,
O som da melancólica trilha Enfim termina.
Com a derradeira "Valsa do Porto das Caixas", de Tom Jobim.
Flávio Telles.
Acadêmico da Academia Teresopolitana de Letras
Poesia dedicada a 2º exibição do CIneClube ATL: Cinema e Literatura